Ah, os morangos...Eles tem boa aparência, são atraentes e alguns dizem até que são afrodisíacos. São cobertura de bolo, recheio de biscoito, sabor de iogurte. São da cor da paixão, pomposos, imbatíveis.
Mas não para mim.
Eu sempre achei o morango uma espécie de fruta traiçoeira. Morangos são como homens que te seduzem mas não querem nada com você. Morangos usam do charme e da elegância para fazer você se sentir atraída mas, quando você chega nos "finalmente", te surpreendem (negativamente!) com um sabor azedo na boca. Eu nunca quis nada com os morangos.
Até aquele dia.
Eu não estava nem olhando, nem cogitando comer. Mas ele veio grande, vermelhinho, quase chamando meu nome. Foi oferecido por simpático sorriso que me dizia "Prova, você não vai se arrepender."
Foi então que eu cedi. Depois de quase uma vida negando fervorosamente os morangos, àquele eu não consegui resistir.
E me apaixonei.
Foi o melhor morango que eu já provei. Diferente de todos os outros, era doce, macio, delicioso. Era tão bom que eu até desconfiei se era mesmo um morango. O sabor era suave, sugestivo, maravilhoso.
Aquele morango me fez dar uma nova chance aos outros morangos. Afinal, se um se salvou, não era possível que todos os outros fossem ruins, certo?
Errado.
A segunda chance aconteceu quase uma semana depois, quando aquela paixão parecia platônica, mas o gosto ainda queimava forte em minha boca. Eu já estava quase convencida de que devia deixar esse amor para lá. Aquele era o morango-amor-da-minha-vida e eu tinha o perdido. Uma pena. Paciência. Fim.
Aí um novo sorriso me ofereceu um novo morango. O sorriso comia os morangos como sobremesa do seu almoço, o que me fez confiar nele. Para alguém comer qualquer coisa que não chocolate de sobremesa, essa coisa tinha que ser realmente boa. Então os morangos eram bons. Eu estava certa, parecia seguro aceitar.
Eu mordi o morango cheio de vontade e... decepção.
Era aquele gosto de novo, o azedo, o falso, o traidor. Eu não queria acreditar. Era o fim do amor. Meu sonho acabou.
Que droga, eu sabia que não devia acreditar nos homens.