quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Número Privado

Conferindo o histórico do meu celular, vejo que a ligação durou menos de um minuto e meio. Um minuto e vinte e quatro segundos, sendo exata.
Buscando na minha memória, lembro de ter dito umas 10 palavras. Na verdade, lembro das três primeiras, depois não lembro muito de mais nada.
Sei que quem falava era a Maria, mas isso é tudo que eu sabia dela. Agora sei também o último nome, veio no e-mail.
Acho que isso foi tudo.
Tudo mesmo.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Morangos

Ah, os morangos...Eles tem boa aparência, são atraentes e alguns dizem até que são afrodisíacos. São cobertura de bolo, recheio de biscoito, sabor de iogurte. São da cor da paixão, pomposos, imbatíveis.
Mas não para mim.
Eu sempre achei o morango uma espécie de fruta traiçoeira. Morangos são como homens que te seduzem mas não querem nada com você. Morangos usam do charme e da elegância para fazer você se sentir atraída mas, quando você chega nos "finalmente", te surpreendem (negativamente!) com um sabor azedo na boca. Eu nunca quis nada com os morangos.
Até aquele dia.
Eu não estava nem olhando, nem cogitando comer. Mas ele veio grande, vermelhinho, quase chamando meu nome. Foi oferecido por simpático sorriso que me dizia "Prova, você não vai se arrepender."
Foi então que eu cedi. Depois de quase uma vida negando fervorosamente os morangos, àquele eu não consegui resistir.
E me apaixonei.
Foi o melhor morango que eu já provei. Diferente de todos os outros, era doce, macio, delicioso. Era tão bom que eu até desconfiei se era mesmo um morango. O sabor era suave, sugestivo, maravilhoso.
Aquele morango me fez dar uma nova chance aos outros morangos. Afinal, se um se salvou, não era possível que todos os outros fossem ruins, certo?
Errado.
A segunda chance aconteceu quase uma semana depois, quando aquela paixão parecia platônica, mas o gosto ainda queimava forte em minha boca. Eu já estava quase convencida de que devia deixar esse amor para lá. Aquele era o morango-amor-da-minha-vida e eu tinha o perdido. Uma pena. Paciência. Fim.
Aí um novo sorriso me ofereceu um novo morango. O sorriso comia os morangos como sobremesa do seu almoço, o que me fez confiar nele. Para alguém comer qualquer coisa que não chocolate de sobremesa, essa coisa tinha que ser realmente boa. Então os morangos eram bons. Eu estava certa, parecia seguro aceitar.
Eu mordi o morango cheio de vontade e... decepção.
Era aquele gosto de novo, o azedo, o falso, o traidor. Eu não queria acreditar. Era o fim do amor. Meu sonho acabou.
Que droga, eu sabia que não devia acreditar nos homens.

domingo, 24 de novembro de 2013

Divas no Divã

Alguém já parou para pensar que "diva" e "divã" são palavras gêmeas? E gêmeas idênticas, se a gente lembrar daqueles irmãos que são iguais à não ser pela marquinha de nascença no bumbum. E depois que a gente pensa isso, não parece óbvio? Quero dizer, divas estão sempre em divãs. Pense em todos os tempos, em todas as escalas, em todas as gerações. Carmen Miranda, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Madonna, Britney Spears, Katy Perry... Miley Cyrus? O fato é que todas tiveram uma história para contar, um amor não correspondido para curar, uma loucura que pareciam querer esconder... Tantas paixões, tanta pressão, tanta expectativa! Divãs trabalhadores, os delas. Uns mais bem sucedidos que os outros. Alguns mal sucedidos, na verdade.
Mas o que seriam de nós, mortais, sem as histórias de divãs das nossas divas, que nos lembram que mesmo elas tem problemas e nos incentivam a levar os nossos pro mesmo sofá?
Divas e Divãs são alma gêmeas, melhores amigos, yin yang, marido e mulher. Não é a toa que precisavam sem encontrar no dicionário. O destino estava traçado.
Sei que pode não ter nenhuma relação. Na verdade, eu tenho certeza que não tem. Mas sei lá, pirei.
Acho que alguém aqui também precisa de terapia.